Um outro olhar sobre o status no Hangouts

Recentemente a Google disponibilizou o Hangouts, centralizando os serviços de comunicação da empresa. Agora, tem-se vantagem de se comunicar com pessoas via Android, iOS e web, podendo enviar fotos, videos, e mensagens offline (embora antes fosse possível, mas não era comunicado para o user (já já explico o que quero dizer com “comunicação” 🙂 ). Entretanto, com tantas novidades legais, tem muita gente reclamando de uma característica muito comum em comunicadores, e é por isso que trato dele aqui: o conceito de “status” online/offline deixou de ficar evidente para o usuário.

Como se pode ver em comentários do aplicativo na Play Store…

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e… em Fóruns do Google

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… essa ausência não agradou tanto assim. Mas… se nada disso agradou, porque sequer cogitaram essa possibilidade? Bom, uma interpretação, e que faz muito sentido pra mim é que hoje a percepção de status perdeu sentido: uma mensagem enviada vai ser recebida, uma hora ou outra. Em resumo: não nos desconectamos mais de alguém, apenas esperamos  pouco mais pra receber uma resposta de alguém. Ora, se essa pessoa vai receber essa mensagem alguma hora, porque precisamos  informar se a pessoa está online?

Olhando sob uma ótica cognitiva, é uma informação desnecessária: ocupa o usuário com algo que não é relevante para o fim proposto (enviar uma mensagem a alguém. Entretanto, de uma ótica semiótica, isso muda de figura.

A teoria da Engenharia Semiótica, postulada por Clarisse de Souza inicialmente em 1993,  muito resumidamente trata a interação humano-computad como um processo de comunicação entre designer e usuário. Sob a ótica dessa teoria, podemos então olha pra interação dos usuários com o Hangouts de outra forma. Nessa nova perspectiva, percebe-se os usuários criaram uma interpretação do status não somente relacionada com a presença ou ausência de uma pessoa para conversa, mas aquela que diz se é apropriado ou não falar com uma determinada pessoa. Então, o argumento de “inutilidade” desta característica do chat acaba caindo por terra.

Talvez por observarem apenas aspectos cognitivos, os desenvolvedores do GTalk deixaram as interpretações dos usuários, ou em outras palavras, como estes utilizavam a ferramenta. Esta teoria tem essa característica bacana que pode fazer a diferença no design de um sistema. Fica então a dica para os desenvolvedores do Hangouts: olhem para o que o sistema comunica, e não somente para sua eficiência ou eficácia 🙂 Os usuários agradecem.

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