Facebook: ame-o ou deixe-o (e suas amizades, posts, comentários…)

Deletar ou não, eis a questão

Constantemente me pego pensando em cometer o famigerado ‘facebookcidio’, apagando minha existência dessa rede social para sempre. Não me leve a mal, não sou anti-social…mas existem características na rede que me incomodam. A principal delas é o Feed de Noticias.

Se você (ainda) acha que lá recebe as atualizações de todos os seus amigos, pense duas vezes. Na verdade, o Facebook trabalha com um algoritmo para selecionar as histórias mais relevantes para você. Parece bruxaria, mas é tecnologia, e eu não aprovo (pegou?). Ele se baseia em critérios como curtidas suas, visualizações de postagens semelhantes, curtidas em postagens semelhantes, comentários e outras atividades (o algoritmo exato é oculto, para evitar engraçadinhos tentando burlá-lo e ganhar mais visibilidade) [1] (dsclp, webcache do google). Pra que isso funcione a contento (pode não funcionar também) , ele precisa de interação sua com a rede.

E daí vem meu problema. Eu não sou daquele grupo que ama expor 100% do dia e da vida e todo o universo nas redes sociais. Quando muito gosto de compartilhar notícias interessantes e relevantes para meus amigos da rede. Como o Facebook não gosta de gente assim, fico numa espécie de limbo das personas esquecidas, já que eu até tenho o perfil de quem usa a rede, mas não nos moldes ideais pregados pelo Facebook.

O que me deixa enfezado então? A questão é que vejo publicações que não são exatamente de meu interesse, de pessoas que não estão em meu circulo “direto” de amizades reais, e muitas vezes publicações de coisas grotescas, pra dizer o mínimo. Nessa hora alguém se levanta e fala :”mas você esta usando essa rede da forma errada, é claro que não vai funcionar! FOGUEIRA NELE!”.

Pois meus caros, acontece que o modelo mental (coisa de Engenharia Cognitiva [2]) esperado nem sempre é o modelo mental de todo e qualquer usuário. Na verdade, esse modelo esperado é imutável (coisa de Engenharia Semiótica [2]), e é saudável que assim o seja. Por isso não dá pra assumir que a tecnologia vai ser infalível. A tecnologia então não é algo que se molda aos usuários, mas que influencia este a cada novo contato do mesmo com essa tecnologia. Mas porque temos casos como o Facebook então, que descem goela abaixo o tipo de interação, tanto com usuários quanto com as páginas do próprio facebook, que eles querem? Não dá pra dizer que é por maldade, mas inicialmente, sim, por uma escolha bem pensada para as necessidades comuns entre o Facebook e seu grupo de pessoas esperado. Lembre-se que o Facebook é antes de qualquer coisa, uma empresa, que precisa obter lucro para pagar seus funcionários, impostos, acionistas. Tomando de novo o Feed de Notícias como exemplo, antigamente ele trazia as notícias mais recentes primeiro. Posteriormente, começou a trazer as notícias “mais relevantes”. Engana-se quem acha que a mudança é somente benéfica para o usuário. Se isso é “evil” ou não? Não sei dizer, sinceramente. Mas toda a questão aqui está em perceber como a tecnologia pode nos influenciar e o quanto isso pode impactar nossas vidas.

A parte do impacto eu explico melhor agora. Meu mundo ideal seria manter o facebook ativo, com as pessoas podendo interagir comigo, mas que eu pudesse interagir do modo que quisesse com a rede. Já tentei, sem sucesso, criar um feed de notícias de grupos e páginas que participo. Meu objetivo era ter uma forma de filtrar melhor as mensagens que apareciam pra mim, até mesmo catalogar pra depois responder com tranquilidade. No entanto, o Facebook usou pó de pirilimpimpim™ e obliterou feeds RSS. Ou seja, ou eu interajo como eles querem, ou sem negócio. Talvez a solução venha com uma maior separação entre a interface e os dados, aonde dados poderiam ser utilizados livremente por diversas interfaces diferentes. Quem sabe, até, cada pessoa com suas interfaces criadas da forma que mais lhes convém. Um sonho talvez ainda distante, por razões tecnológicas e de conhecimento sobre como utilizar as tecnologias para criar softwares próprios. Movimentos como o Free the Data [3], que fala de dados sobre saúde, e o próprio Open Data [4] são importantíssimos nesse sentido

Reforço sempre que possível a necessidade de olhar para qualquer tecnologia de forma crítica. A dependência tecnológica recente e rápida não nos deixou talvez tempo suficiente para nos preocupar com os impactos de materiais produzidos, antes de qualquer coisa, por pessoas, para pessoas. É preciso, de alguma forma deixar de ter medo de questionar a tecnologia, tal como um excelente exemplo que vem da população de Cuba, que na dificuldade de encontrar produtos para repor peças estragadas, criaram uma cultura de desconstrução das tecnologias fortíssima [5] (vale muito a pena assistir ao vídeo). Quem sabe assim, um dia, possamos ter não somente nossos dados livres, como nossas interações também.

Enquanto isso, fico nessa eterna duvida de apertar o delete ou não.

Referências

[1] https://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:G7BdCcheNP4J:https://www.facebook.com/help/www/327131014036297/+&cd=5&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

[2] Barbosa, S.D.J., Santana, B. Interação Humano Computador. Editora Campus-Elsevier.

[3] http://www.free-data.org

[4] https://en.wikipedia.org/wiki/Open_data

[5] https://www.youtube.com/watch?v=v-XS4aueDUg

So, you’re starting a PhD?

Sempre que comento que faço um doutorado, sinto que é difícil explicar qual a extensão de comprometimento algumas vezes é necessária para fazê-lo. Quando leio artigos e reportagens que falam sobre os desafios, especialmente psicológicos e sociais relacionados à pós-graduação, vejo que não sou o único que passa por dias difíceis. No entanto é sempre importante exercitar nossas mentes a ver o lado bom desta jornada. Este post do “The Thesis Whisperer” , apesar de começar falando das dificuldades, nos convida a ver o “silver lining” do PhD. Pessoalmente, meu doutorado é um caminho para me preparar para os desafios da docência e pesquisa. Já aprendi muito nestes 5 anos de pós, tanto na área acadêmica quanto profissional. Aprendi principalmente a ter paciência e serenidade diante da vida. Muitas vezes nos veremos diante de problemas de variados tamanhos, e muitas vezes grandes “demais”. O doutorado nos ensina (ou melhor, aprender por meio dele) a sobreviver a estes “elefantes”, uma mordida por vez. Fora todo o auto-conhecimento adquirido nesta etapa, fundamental em qualquer aspecto da vida. Fica a reflexão e a recomendação de leitura àqueles que não pensam, ou aos que cogitam a pós-graduação. Como tudo na vida, tem seus prós e contras, e como em alguns momentos da vida, é importante nos lembrarmos que os prós também existem.

The Thesis Whisperer

This month, all around Australia, there will be a whole crop of PhD students starting their degree. It’s an exciting time, but a nerve-wracking one as well. Here’s another post to help you start your journey!

This post is by Erika Harris, PhD Candidate. Erika has a Master’s degree in Education, General Education and has worked in instructional design and development in both corporate and higher education settings in the U.S & Australia. Currently Erika is an educational developer, elearning, for RMIT designing online and hybrid courses working with academics in the higher education and vocational education sectors. In this post Erika reflects on the advice given about why NOT to do a PhD and why you would still give it a go anyway.

I am a new PhD student, and have been reading and conversing with current and past PhD students and have come to the sad conclusion…

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Um outro olhar sobre o status no Hangouts

Recentemente a Google disponibilizou o Hangouts, centralizando os serviços de comunicação da empresa. Agora, tem-se vantagem de se comunicar com pessoas via Android, iOS e web, podendo enviar fotos, videos, e mensagens offline (embora antes fosse possível, mas não era comunicado para o user (já já explico o que quero dizer com “comunicação” 🙂 ). Entretanto, com tantas novidades legais, tem muita gente reclamando de uma característica muito comum em comunicadores, e é por isso que trato dele aqui: o conceito de “status” online/offline deixou de ficar evidente para o usuário.

Como se pode ver em comentários do aplicativo na Play Store…

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e… em Fóruns do Google

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… essa ausência não agradou tanto assim. Mas… se nada disso agradou, porque sequer cogitaram essa possibilidade? Bom, uma interpretação, e que faz muito sentido pra mim é que hoje a percepção de status perdeu sentido: uma mensagem enviada vai ser recebida, uma hora ou outra. Em resumo: não nos desconectamos mais de alguém, apenas esperamos  pouco mais pra receber uma resposta de alguém. Ora, se essa pessoa vai receber essa mensagem alguma hora, porque precisamos  informar se a pessoa está online?

Olhando sob uma ótica cognitiva, é uma informação desnecessária: ocupa o usuário com algo que não é relevante para o fim proposto (enviar uma mensagem a alguém. Entretanto, de uma ótica semiótica, isso muda de figura.

A teoria da Engenharia Semiótica, postulada por Clarisse de Souza inicialmente em 1993,  muito resumidamente trata a interação humano-computad como um processo de comunicação entre designer e usuário. Sob a ótica dessa teoria, podemos então olha pra interação dos usuários com o Hangouts de outra forma. Nessa nova perspectiva, percebe-se os usuários criaram uma interpretação do status não somente relacionada com a presença ou ausência de uma pessoa para conversa, mas aquela que diz se é apropriado ou não falar com uma determinada pessoa. Então, o argumento de “inutilidade” desta característica do chat acaba caindo por terra.

Talvez por observarem apenas aspectos cognitivos, os desenvolvedores do GTalk deixaram as interpretações dos usuários, ou em outras palavras, como estes utilizavam a ferramenta. Esta teoria tem essa característica bacana que pode fazer a diferença no design de um sistema. Fica então a dica para os desenvolvedores do Hangouts: olhem para o que o sistema comunica, e não somente para sua eficiência ou eficácia 🙂 Os usuários agradecem.